Carta de diretora do Grupo Folha destinada ao senador Romero Jucá viraliza nas redes socais

No dia em que todas as atenções estavam voltadas para as festividades do Dia Internacional da Mulher e das atividades de protesto e luta contra o machismo e a violência contra a mulher, uma carta dirigida ao senador Romero Jucá, presidente nacional do PMDB, viralizou nas redes sociais.

A carta assinada pela jornalista e diretora geral do Grupo Folha, proprietário do Jornal Folha de Boa Vista, Paula Cruz, filha do ex-governador Getúlio Cruz, foi um desabafo, um pedido e uma declaração, em função dos fortes ataques verbais praticados pelo senador Romero Jucá através de uma de suas emissoras de rádios contra Getúlio Cruz.

Nela Paula Cruz pede que o senador respeite o Grupo Folha, respeite a família dela e, principalmente, o patriarca Getúlio Cruz e resgata acontecimentos que diferenciam a atitude do senador com as da família Cruz, numa escrita que emociona quem lê e que com certeza deve dar orgulho ao seu genitor.

Pelo teor do conteúdo e pela forma e pela coragem como escreveu a carta, Paula Cruz recebeu milhares de declarações de apoio.

Confira o teor do texto na íntegra:

Carta aberta ao senador Romero Jucá

Paula Cruz*

Caro senador, venho muito serenamente pedir através desta, que o senhor tenha a decência de parar de falar mal de minha empresa. A Folha de Boa Vista é minha e de meus irmãos. Diferente de muitos políticos, meu pai não usa seus filhos como testa de ferro. Ele nos preparou para assumirmos os nossos negócios. NOSSOS NEGÓCIOS. Não precisamos de testa de ferro nem de laranjas. Nós estamos à frente da Folha. Nossos funcionários, parceiros e colaboradores tratam comigo ou com meus irmãos TUDO o que se refere à administração da Folha de Boa Vista. Há pelo menos 20 anos que meu pai não seleciona nenhum funcionário para o jornal.

Senador Romero Jucá, NUNCA lhe desrespeitamos. TODAS AS MATÉRIAS que publicamos são de conhecimento público ou também já foram publicadas EM TODOS OS GRANDES VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO DESTE PAÍS. Pare de agir como uma pessoa que não admite ser contrariado ou questionado. O SENHOR DEVE SIM SATISFAÇÃO SOBRE SEUS ATOS, afinal é um parlamentar eleito pelo voto do povo. 

Gostaria imensamente que o senhor aprendesse a respeitar uma empresa séria, que paga em dias seus funcionários e sem subterfúgios de terem que ser lotados em gabinetes ou órgãos públicos para receberem seus salários, e muitas vezes, para trabalhar em veículos ligados a grupo político ou mesmo para defender ou atacar A ou B em redes sociais. 

Nossos funcionários TRABALHAM muitas vezes em dois lugares para melhorarem seus salários, porque nós pagamos aquilo que podemos pagar, sem COMPROMETER A DIGNIDADE DELES OU A NOSSA. 

O senhor sabe disso, afinal, acompanhou  MUITO DE PERTO quando da passagem da TV CABURAÍ pela Folha. O senador já esqueceu que EU DIRIGI A CABURAÍ por mais de um ano? Tempo, que volto afirmar, o senhor acompanhou muito de perto, inclusive elogiando a minha postura de compromisso com a informação e seriedade. E veja senador, naquela época eu só tinha 19 anos. 

Agora com 41 anos e dois filhos, tenha certeza, procuro ser decente e honrá-los todos os dias. Quero que eles tenham orgulho do que faço. Por isso, trabalho mais de 10 horas por dia. JAMAIS irei usá-los para fazer qualquer tipo de negócio sujo ou suspeito. EU NÃO PERMITO QUE NINGUÉM FAÇA ISSO COM A FOLHA, imagine com meus filhos. TENHO RESPEITO PELAS FAMÍLIAS DOS QUE FAZEM A FOLHA TODOS OS DIAS. Tenha também. Respeite nosso trabalho.   

EM TODAS AS MATÉRIAS ONDE O SENHOR É CITADO, SUA ASSESSORIA SEMPRE É PROCURADA. Mas nunca se manifestam e depois o senhor vai para uma rádio local, sem a participação do público, distribuir críticas sobre as matérias veiculadas. Por que, senador? Porque, em vez de falar mal da Folha, o senhor não explica como com um senador tão poderoso, como todos dizem, deixa Roraima demarcado quase que na sua totalidade, inviabilizando o nosso agro-negócio que estava em pleno crescimento? E como depois, ou antes, não me lembro, empresas ligadas a seus familiares tiveram autorização para explorar minérios nestas mesmas terras? Ou ainda, como um senador TÃO PODEROSO nunca conseguiu resolver a questão energética do Estado, deixando todos nós a mercê de um país instável e falido? Poderia passar um jornal inteiro fazendo vários questionamentos. Mas não, prefiro encerrar por aqui e pedir mais uma vez respeito por mim, por meus irmãos, por nossos funcionários, por nossa história. 

Peço por último que tenha respeito pelo meu pai, um homem de quem tenho um enorme orgulho, que não é filiado a nenhum partido há anos, portanto não fará parte, como candidato, neste processo, que todos dizem, promete ser o mais sujo e repleto de “fake news”, orquestrados principalmente por quem precisa desesperadamente de foro privilegiado. 

E me dou o direito de lembrar um episódio na sala dele, muitos anos atrás, quando ouvi o senador falar QUE ELE (meu pai) PRECISAVA APRENDER A JOGAR O JOGO, SE QUISESSE SE ELEGER. E ouvi com muito orgulho ele lhe responder; “PREFIRO NUNCA ME ELEGER, SE TIVER QUE APRENDER A JOGAR”. 

Por isso e por muitas outras coisas, amo meu pai, meu orgulho, meu exemplo e meu ídolo. Obrigada, pai, por ter nos respeitado, NUNCA TER NOS USADO e, principalmente, por nos transformar nas pessoas que somos hoje. Isso é ser pai. 

*Diretora-geral do Grupo Folha de Comunicação

 

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