“Portas abertas para uma nova vida no Brasil”

Por: ASCOM/SENAC

Parceria entre OIM e Senac formou 120 refugiados venezuelanos. Cerimônia teve apresentação musical de artistas da Venezuela, em momento que reforçou a esperança no recomeço em um novo país.

O Senac, em parceria com a Organização Internacional de Migração (OIM), formou 120 refugiados venezuelanos na noite de ontem (14), no auditório do Senac São Francisco.

Foram dez cursos distribuídos em seis turmas de 20 alunos cada, moradores dos abrigos Rondon 1, Rondon 3, Jardim Floresta, Latife Salomão e São Vicente em Boa Vista e do abrigo Janokoida em Pacaraima – mas outras dez pessoas puderam participar nos cursos. As aulas aconteceram no Senac São Francisco em Boa Vista, e na Escola Municipal Casimiro de Abreu em Pacaraima. Foi a segunda vez que a OIM contratou cursos do Senac Roraima.

Músicos venezuelanos cantaram no palco

Para o início da cerimônia, o Senac preparou um momento especial: a instrutora do curso “Organizador de Eventos”, Ana Paula Schipitoski, cuja turma já iria atuar nos bastidores, ainda convidou o seu aluno Jose Prieto Rodrigues (17) para cantar no palco.

Natural da Venezuela e morando no Brasil com os pais e os irmãos há um ano e meio, ele e a família aprenderam português em menos de três meses, graças ao contato com a escola e o trabalho. Sentindo-se acolhido no nosso país, ele tem uma banda de rock chamada Paraquedas. Mas toca também com seu irmão (Simón Ernesto Rodrigues, 13, que faz parte da banda) e sua irmã (Miranda Sofia Rodrigues, 12), seus parceiros no palco do auditório naquela noite.

Trio Trabuco, nome do grupo composto pelos irmãos. Foto: Marnes Arenhart/Comunicação Senac RR

O trio começou com uma música brasileira, mas logo tocaram canções da Venezuela. A plateia, tanto ao ver que os irmãos eram seus conterrâneos quanto por reconhecerem as músicas (uma delas era a canção popular “Venezuela”, de Pablo Ibarz e José Luiz Sánchez), cantou junto, aplaudiu e se emocionou. “É sempre muito bonito mostrar a eles que é possível prosperar em outro país, com outra cultura”, comentou Jose Prieto.

“Momentos como esses nos fazem querer continuar nosso trabalho”

Os brasileiros presentes também derramaram lágrimas: a coordenadora de campo da OIM, Ysyssay Rodrigues, está há dois anos em Roraima e no seu trabalho vê muitos casos de solidariedade e troca cultural entre brasileiros e venezuelanos.

No seu discurso, lembrou que tanto na primeira parceria com o Senac, “timidamente”, em outubro de 2018, quanto nesta segunda, sentiu reforçada a missão da Organização de integrar de forma segura e ordenada quem chega em um novo país.

Agradecendo às duas entidades, à Operação Acolhida, aos gestores dos abrigos e a “cada um dos senhores e senhoras que colocaram seu tempo neste projeto”, ela ressaltou que são momentos como esse que “dão vontade de acordar todos os dias querendo continuar nosso trabalho”, desejando que todos os alunos continuem sendo tão “valentes como na música”.

Ysyssay Rodrigues, Emilio Fernandez, Ademir dos Santos e Kátia Rossi. Foto: Marnes Arenhart/Comunicação Senac RR

O presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac/IFPD, Ademir dos Santos, também teve boas lembranças, das viagens que fazia ao país vizinho e da visão de integração cultural que o seu saudoso antecessor, Airton Dias, tinha.

“Ele dizia que estávamos mais próximos dela do que do próprio Brasil. Hoje cabe a nós acolhermos muito bem quem chega de lá. Por isso, fico muito feliz de participar dessas histórias de sucesso. Muito obrigado à OIM por confiar no Senac para preparar vocês para o mercado de trabalho”.

A diretora regional do Senac, Kátia Rossi, agradeceu a todos e ressaltou que a instituição está de portas abertas para os formandos, tanto por meio do programa Banco de Oportunidades (que encaminha ex-alunos para vagas de emprego de empresas parceiras) quanto pela oferta de mais cursos que eles possam querer fazer. “Essa formatura é só o começo”, lembrou.

Agora temos como trabalhar”

Jesus Javier (29) é uma dessas pessoas que acredita em uma melhora contínua. Há 10 meses em Roraima, vivendo no abrigo do São Vicente com a mulher e a filha de quatro meses, ele pediu para ser voluntário em um ponto de recreação para crianças, da ONG Visão Mundial, dentro do abrigo. Em pouco tempo, o bom desempenho o fez ser contratado como recreador.

Na Venezuela, ele era vigia e porteiro, e no curso em parceria entre o Senac e a OIM, aprendeu a ser garçom e a falar português. “Os instrutores (Eliézer Batista e Jociara Pereira) nos ajudaram muito: ensinaram como agir e se portar em um ambiente de trabalho, a como falar. Foram 20 dias ótimos”, disse o rapaz.

Jesus Javier segura seu certificado. Foto: Marnes Arenhart/Comunicação Senac RR

Emilio Fernandez (38) e sua esposa Cristina Ashana estão no Brasil há seis meses, depois que a empresa dele de fabricação de peças em vidro e alumínio não conseguiu mais se sustentar. Aprenderam técnicas de recepção em meios de hospedagem, além de português, e se animaram porque “agora temos como trabalhar no Brasil”. Emilio, que estava bem contente na formatura, agradeceu por “saber que podemos nos superar em outro país e termos portas abertas para uma nova vida aqui”.

Venezuelano que dirigiu sozinho para o Brasil tem recomeço com a ajuda do Senac

Cursos

Desta vez, as turmas foram: “Técnicas básicas em recepção em meios de hospedagem” + “Português básico” (Boa Vista, com as instrutoras Rhaina Reis e Jociara Pereira); “Técnicas para garçom” + “Português básico” (em Boa Vista, com os instrutores Eliézer Batista e Jociara Pereira); “Assistente administrativo em comércio e serviços” + “Português básico” (em Pacaraima, com os instrutores Amarildo Lopes e Bruno Alexandre); “Técnicas de depilação” + “Português básico” (Boa Vista, com Marlíria Duarte e Jociara Pereira); “Boas práticas em manipulação de alimentos” + “Bombons e ovos de páscoa” + “Português básico” (Boa Vista, com Eliézer Batista, Rita Lima e Felipe Tiago); “Manicure e pedicure (básico)” + “Português básico” (Boa Vista, com Pâmela torres e Fabiana Pereira).

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